quinta-feira, 1 de junho de 2017

FALSA MODÉSTIA



Ser modesto é uma ideia vinculada à humildade e essa é bem quista por todos. No entanto, existem equívocos muito comuns quanto ao que é humildade e quais comportamentos são realmente humildes ou quando se trata de falsa modéstia.
Arrogância e prepotência, orgulho e vaidade são os comportamentos contrários à humildade. Comportamentos prejudiciais aos relacionamentos e a nossa comunicação; empecilhos no caminho do bem viver e conviver. E por vezes, esses comportamentos vem disfarçados de inferioridade e vitimização.
Falar em público nos coloca em um lugar de foco e evidência e muitos se dizem incapazes de se colocarem em tal lugar, porque não se acreditam bons o bastante para estarem lá.
Nesta ideia está implícita uma comparação com os outros, que são vistos como melhores e que, portanto, podem estar lá neste lugar. Vitimização e inferioridade que trazem embutidas a ideia de que para estar neste lugar de evidência é necessário então ser superior.  
E o que parece a princípio um gesto de humildade, pode esconder orgulho e vaidade.
Humildade é saber que não somos mais ou menos que ninguém. É perceber-se e colocar-se igual com todos em possibilidades. Humildade é se responsabilizar pelo que fazemos, pelo que sentimos e pelo que pensamos. Humildade é colocar-se como alguém de valor, independente de comparações.
E humildade é concluir que não precisamos de um lugar de superioridade para sermos dignos de estar à frente de um grupo. E que esse lugar justamente é digno de quem se coloca como igual, e que por isso não teme saber menos que ninguém, pois está disposto a aprender. Que não teme críticas porque as acolhe como construtivas. E que não teme ser pequeno porque sabe que apenas quando se é pequeno é que se pode crescer.
Um beijo, Rachel Coelho de Castro.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

REALIDADE E LINGUAGEM SE ENTRELAÇAM



Nossa linguagem e maneira de nos comunicar são representantes da interpretação que fazemos do mundo e expressa a realidade que percebemos.
No entanto, realidade e linguagem se entrelaçam e se alimentam mutuamente. Dizemos de nossa realidade e nossa realidade é construída pelo que dizemos.
Sendo assim, podemos expandir as possibilidades de nossa realidade a partir da expansão consciente e criativa da linguagem.
Reflita o texto abaixo:
O dono de um pequeno sítio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
- Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o Senhor bem conhece. Pode redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu: "Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer; com extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão.. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda".
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
- Nem penso mais nisso, disse o homem. Quando li o anúncio e percebi a maravilha que tinha; desisti imediatamente de vender aquele paraíso!
O anúncio poderia descrever apenas a localização e o tamanho da propriedade, dizer do número de cômodos e do valor de venda. Seria um anúncio dizendo de uma mesma realidade, no entanto, a linguagem pobre desvalorizaria o local.
O mesmo pode ocorrer com a linguagem corporal: você pode saudar uma pessoa com um sorriso “amarelo” e um aperto de mão ou pode saudar uma pessoa com um sorriso largo e um abraço apertado.
É possível ressignificar sua vida e seus relacionamentos através da mudança de perspectiva; e a nossa linguagem é um instrumento poderoso para isso.
Um grande abraço, Rachel Coelho de Castro.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

COMO DIMINUIR A NECESSIDADE DE APROVAÇÃO DOS OUTROS?



Todos nós, em diferentes graus, buscamos o reconhecimento e aprovação dos outros. É parte da necessidade humana sentir-se aceito e fazer parte.
Ser flexível e capaz de se adaptar em diferentes situações é importante e saudável para conviver bem com as pessoas. É parte do processo de aprendizado nas relações: ceder, repensar e algumas vezes abrir mão de idéias ou comportamentos.
No entanto, evitar a todo custo a possibilidade de rejeição ou reprovação, nos coloca em uma cilada, pois na tentativa de agradar a todos, abriremos mão de nossa autenticidade.
Ser autêntico significa sermos nós mesmos, fazendo escolhas de acordo com o que faz sentido para nós. Abrir mão de nossa autenticidade gera frustração e infelicidade a curto ou a longo prazo.
A aprovação e aceitação deve começar por nós mesmos, para sustentar nossas escolhas e assumi-las diante de possíveis desaprovações.
Nossa educação muitas vezes nos ensinou a agir por culpa e obrigação, mas amadurecer emocionalmente significa ver agora por outra perspectiva: agir por responsabilidade e compaixão.
Na prática isso significa aceitar críticas, aceitar opiniões diferentes das suas, aceitar os próprios erros e dificuldades, assim como aceitar os erros dos outros ou aceitar os outros exatamente como eles são.
Seja sincero com você mesmo, reflita e responda quais são os seus comportamentos nas situações abaixo:
Como você reage as críticas? Como você reage quando é contrariado? Como você reage quando alguém te corrige? Como você reage quando percebe que errou ou que tem dificuldades? Como você reage ao erro e falha dos outros?
E ao responder, questione-se: Essas reações são de aceitação ou de rejeição?
Será que você também por vezes não incute culpa e obrigação nos outros?
Aceitar não significa concordar, mas utilizar de cada uma dessas situações como oportunidades para aprender, crescer, nos aprimorar e fortalecer nossas escolhas.
Portanto, seja grato a cada uma dessas situações e aceite mais a si mesmo e os outros. 
A partir daí é possível gradativamente e naturalmente diminuir a necessidade exagerada de aprovação para construir a liberdade de sermos o que quisermos ser; agindo de acordo com nossa responsabilidade e compaixão.

Um grande abraço, Rachel Coelho.